Ayn Rand Responde Questões Sobre Ativismo Político

[As perguntas e respostas abaixo foram extraídas e adaptadas da obra Ayn Rand Answers , uma coletânea da interação entre a filósofa Ayn Rand e o seu público

Pergunta: Quais passos levam à realização dos seus objetivos políticos?

answersAyn Rand: Eu não trabalho para a criação de qualquer novo partido político ou aconselho fazer isso. Ainda é muito cedo. Mas, como muitos de vocês são Republicanos e interessados na política local, eu diria que política começa com uma ideia. Você não vence eleições com slogans isolados utilizados uma vez a cada quatro anos. Se algo prático pode ser feito é: desenvolva um conjunto consistente de princípios e ensine o às pessoas no seu partido (trabalhadores da região, candidatos locais e talvez nacionais). Ensine-os a defender o capitalismo. Exija – moralmente, orgulhosamente e sem pedir desculpas por isso – um retorno ao pleno capitalismo.

Isso não pode ser feito da noite para o dia, então não ajam feito cruzados no sentido improdutivo de exigir mudanças imediatas. Mas afirme esse objetivo às pessoas. Ao invés de socialistas prometendo sustento público, mantenha a promessa da liberdade e trabalhe passo a passo nessa direção. Formule uma política de quais controles governamentais podem ser repelidos primeiro da economia e quais passos poderiam realizar uma economia completamente sem controles. Mas, acima de tudo, baseie seu programa em um pleno conhecimento da história e da natureza do capitalismo e em uma plena defesa do capitalismo contra as acusações e más concepções pregadas pela esquerda.

Comece pelas escolas e faculdades porque elas são as fontes dos futuros políticos e homens de ação. Você nada realizará em uma eleição política se você negligenciar as instituições onde as ideias são formadas. Certifique-se de que as instituições educacionais ensinem o individualismo e o capitalismo.

Aprenda a defender sua posição de forma que nenhum esquerdista conseguiria lhe responder. Não peça desculpas pelo capitalismo. Não permita que ele seja atacado como um sistema de cobiça egoísta. Mas você nada conseguirá realizar enquanto simultaneamente expressar consideração pelo altruísmo. Aprenda a moralidade implícita na Declaração da Independência Americana, um documento que hoje não é suficientemente citado e nem suficiente entendido. A ética Objetivista é meramente a prova filosoficamente trabalhada do que os Pais Fundadores implicaram em sua Declaração. A batalha é moral e filosófica. (1961)

Pergunta: É possível mudar a direção da humanidade sem experimentar o desastre primeiro?

AR: Enquanto um país não estiver sob uma ditadura, a cultura poderá ser mudada pacificamente. Uma vez que um país aceita a censura da imprensa e da expressão, então nada pode ser conquistado sem violência. Portanto, enquanto você possuir liberdade de expressão, dê-lhe proteção. Essa questão é de vida ou morte: não abandone a liberdade de imprensa – dos jornais, livros, revistas, televisão, rádio, filmes e todas as outras formas de apresentar ideias. Enquanto essas forem livres, uma virada intelectual pacífica é possível. (1961)

Pergunta: Como poderia ser implantada uma sociedade capitalista laissez-faire ?

AR: Toda mudança em política prática foi precedida por uma mudança cultural – ou seja, uma mudança na filosofia dominante na cultura. Portanto, como uma questão prática, é preciso se concentrar na cultura – em disseminar a filosofia que torna possível a uma sociedade esclarecida adotar o capitalismo laissez-faire. (1962)

Pergunta: Se você fosse eleita presidente dos Estados Unidos amanhã, quais mudanças você instituiria?

AR: Essa é a última coisa que eu tentaria ou aconselharia alguém a fazer. Mas, quanto à questão hipotética “o que eu aconselharia se meu conselho fosse imediatamente adotado?”, eu responderia: comece por retirar os controles da economia tão rápido quanto considerações econômicas racionais permitam. Eu falo em “considerações econômicas racionais” porque hoje toda a população é dependente dos controle do governo. A maioria das profissões funciona sobre controles e suas atividades são calculadas sobre essa base. Então, se alguém repelisse todos os controles da noite para o dia, por decreto legislativo, isso seria uma ação desastrosa, arbitrária, ditatorial. O que um país livre necessita é dar a todas as pessoas interessadas comunicados suficientes para que reajustem e reorganizem suas atividades econômicas. Portanto, depois de elaborar com economistas o tipo de programa necessário para retirar os controles da economia e quais controles devem ser repelidos primeiro, eu aconselharia aprovar legislação anunciando que certos controles serão abolidos dentro de três anos, digamos – o período calculado para permitir às pessoas a oportunidade de reajustar suas atividades. Em uma economia livre, nenhuma mudança acontece do nada e da noite para dia. Toda mudança econômica, todo desenvolvimento, é gradual. Portanto, em uma sociedade livre, não há mudanças imediatas e desastrosas. Pois dada a nossa presente situação qualquer mudança repentina poderia criar deslocamentos desastrosos e, por isso, devemos retirar os controles gradualmente. (1962)

Pergunta: Como podemos mudar nossa política e nossos políticos?

AR: Enquanto um país for pelo menos semi-livre, os políticos não são o fator determinante. Eles são o que a opinião pública fizer deles (ou o que eles pensam que a opinião pública quer). Portanto, antes de nos engajar em política, devemos nos engajar em trabalho educacional. Nós precisamos de uma campanha educacional mirada na disseminação de uma nova filosofia, que faça as pessoas entender o que são direitos individuais e por que o altruísmo é errado. Se você entende suas ideias, tente disseminá-las ao máximo de pessoas possível. É assim que a opinião pública muda, e isso mudará os políticos. Desde que a causa de nossos problemas está nas universidades, se você quer reformar qualquer única instituição, comece por aí, porque a filosofia determina a cultura e com isso a direção de um país, e filosofia é a especialidade das universidades. Se você quer uma cruzada, comece com as universidades. (1972)

Pergunta: Há alguém na política hoje por quem você seja entusiasta?

AR: Não. Eu gostaria que houvesse. Na atmosfera cultural de hoje, as melhores pessoas – os verdadeiros intelectuais – não entrariam na política; não ainda. A batalha – que está nas universidades – deve ser vencida primeiro e a base estabelecida fora da política. (1976)

Adaptado por Breno Barreto


O Que Alguém Pode Fazer Para Salvar o País e o Mundo? Resposta: Falar.

Philosophy who needs it pbQuando você pergunta “O que alguém pode fazer?” – a resposta é “FALAR” (contanto que você saiba o que está falando).

O primeiro passo é organizar suas próprias ideias e integrá-las em um todo consistente, no melhor do seu conhecimento e capacidade. Isso não significa memorizar e recitar slogans e princípios: o conhecimento necessariamente inclui a capacidade de aplicar princípios abstratos a problemas concretos, reconhecer os princípios em questões específicas, demonstrá-los, e apresentar um curso de ação consistente. Isso não requer onisciência ou onipotência, requer honestidade – honestidade intelectual, que consiste em reconhecer aquilo que se sabe, expandir constantemente o próprio conhecimento, e nunca ignorar ou deixar de corrigir uma contradição. Isso significa: o desenvolvimento de uma mente ativa como um atributo permanente.

Quando ou se suas convicções estiverem organizadas e sob o seu controle consciente, você será capaz de comunicá-la às outras pessoas.

Algumas sugestões: não espere uma plateia nacional. Fale em qualquer escala aberta a você, grande ou pequena – aos seus amigos, seus associados, seu conselho de classe, ou qualquer local público legítimo. Você nunca poderá dizer quando suas palavras alcançarão a mente certa no momento certo. Você não verá resultados imediatos – mas é de tais atividades que a opinião pública é feita.

Não perca a oportunidade de expressar suas visões sobre questões importantes. Escreva cartas aos editores de jornais e revistas, aos comentaristas do rádio e da TV e, acima de todos, ao seu parlamentar (que depende de seus eleitores). Se suas cartas são breves e racionais (ao invés de incoerentemente emocionais), elas terão mais influência do que você imagina.

As oportunidades para falar estão todas ao seu redor. Eu sugiro que você faça a seguinte experiência: observe quantas vezes as pessoas manifestam noções políticas, sociais e morais incorretas como se fossem verdades autoevidentes, com a sua aprovação silenciosa. Então torne um hábito objetar a tais comentários – não, não faça longos discursos, que raramente são apropriados, mas simplesmente diga: “eu discordo” (e esteja preparado para explicar o porquê se o seu interlocutor quiser saber). Essa é uma das melhores maneiras de impedir a disseminação de clichês maliciosos. (Se o interlocutor é inocente, isso irá ajudá-lo; se não for, isso abalará sua confiança para a próxima vez). De forma mais particular, não fique calado quando suas próprias ideias e valores estão sendo atacados.

Não faça “proselitismo” indiscriminado, isto é, não force discussões ou embates contra aqueles que não estão interessados ou não estão dispostos a argumentar. Não é seu trabalho salvar a alma de todas as pessoas. Se você faz as coisas que estão em seu poder, você não se sentirá culpado por não fazer – “de algum jeito” – as coisas que não estão.

Essas são algumas das coisas corretas a fazer, tão frequentemente e tão amplamente quanto possível.

Nunca é tarde demais ou cedo demais para se propagar as ideias corretas – exceto sob uma ditadura. Se uma ditadura algum dia tomar este país, será pela omissão daqueles que ficaram calados.

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[Extraído e adaptado do ensaio “What Can One Do?”, 1972, “Philosophy: Who Needs It”]

Adaptado por Breno Barreto


Ayn Rand Sobre a Importância da Filosofia

aristotle

Aristóteles

Ayn Rand era tanto uma romancista quanto uma filósofa, e ela via ambos os papéis como igualmente importantes. Por que ela colocava tamanha importância sobre o assunto filosofia?

A maioria das pessoas, se solicitadas a enumerar as áreas de conhecimento que são de maior importância prática à vida humana, citaria a medicina, a ciência da computação, a engenharia, a física, ou até mesmo a ciência política. Mas poucas citariam a filosofia, que é considerada um assunto esotérico, bom para não mais do que debater questões sem resposta nas universidades ou em cafeterias. Quando se trata de viver a vida no mundo real e lidar com problemas reais, o que normalmente se pensa é que a filosofia é irrelevante.

A visão de Ayn Rand é o exato oposto. Para ela, a filosofia é um assunto de enorme poder prático.

A ciência da filosofia estuda os fundamentos do pensamento e da ação humana. Ela pergunta e responde questões tais como: Em que tipo de mundo eu vivo? Eu controlo o meu próprio destino? O que eu sei? Como posso provar? O que é o bem? Eu devo ser egoísta e perseguir meus próprios interesses, ou eu devo me dedicar a servir a Deus ou a outras pessoas?

Não há como fugir dessas questões, segundo Ayn Rand. Ninguém pode funcionar sem alguma concepção, correta ou incorreta, conscientemente elaborada ou incipiente, da natureza do mundo em que se vive, de como chegar a conclusões sobre ele, e de como agir corretamente nele. As respostas que aceitamos para essas questões determinam o curso básico da nossa própria vida. As respostas que predominam em uma cultura determinam a direção básica daquela cultura. Arte, sexo, amizade, política, economia, direito, empreendimentos, ciência, história, todos os aspectos da vida e todos os aspectos da cultura são, ela afirmava, moldados por ideias filosóficas.

O poder e a inevitabilidade da filosofia é um tema que perpassa os escritos de ficção e não-ficção de Ayn Rand. Para aprender mais sobre a sua perspectiva única sobre a filosofia, os três melhores trabalhos para se começar são A Revolta de Atlas, For The New Intellectual e Philosophy: Who Needs It.

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Fonte: Ayn Rand Campus

por Breno Barreto


Quem Serão os Novos Intelectuais?

ayn-rand-for-the-new-intellectual2Qualquer homem ou mulher que estiver disposto a pensar. Todos aqueles que sabem que a vida do homem deve ser guiada pela razão, aqueles que valorizam a sua própria vida e não estão dispostos a entregá-la ao culto do desespero na selva moderna de impotência
cínica, assim como não estão dispostos a entregar o mundo à Idade das Trevas e ao domínio dos brutos.

A necessidade de liderança intelectual nunca foi tão grande como agora. O que precisamos hoje é erigir uma estrutura filosófica correspondente, sem a qual a grandeza material não pode sobreviver. A nova região selvagem a ser ocupada é a filosofia, agora quase abandonada, com as ervas daninhas de doutrinas pré-históricas erguendo-se mais uma vez para engolir suas ruínas. Para se sustentar uma cultura, nada menos que uma nova base filosófica funcionará. O presente estado do mundo não é a prova da impotência da filosofia, mas a prova do seu poder. Foi a filosofia quem trouxe os homens a esse estado – apenas a filosofia poderá tirá-los daí.

A maior necessidade hoje é por homens que não sejam estranhos à realidade, porque não temem o pensamento. Os novos intelectuais serão aqueles que irão assumir a iniciativa e a responsabilidade de pensar: eles irão verificar suas próprias premissas filosóficas, irão identificar suas convicções, integrarão suas idéias com coerência e consistência, então oferecerão à nação uma visão da existência para a qual os sábios e honestos poderão se voltar.

O novo intelectual será o homem que vive à altura do sentido exato do seu título: um homem que é guiado pelo seu intelecto – não um zumbi guiado por sentimentos, instintos, impulsos, desejos, caprichos ou revelações.

Ele será um homem integrado, isto é: um pensador que é um homem de ação. Ele saberá que idéias divorciadas da efetiva ação são fraudulentas, e que a ação divorciada de idéias é suicida. Ele saberá que o nível conceitual de consciência – o nível da razão, do pensamento, do livre-arbítrio – é a necessidade básica da sobrevivência do homem e sua maior virtude moral. Ele saberá que os homens precisam de filosofia pelo propósito de viver na terra.

O Novo Intelectual será uma reunião dos gêmeos que nunca deveriam ter sido separados: o intelectual e o empresário. Ele virá de entre os melhores – isto é: os mais racionais – homens que ainda podem existir em ambos os campos. A reunião produzirá dois novos tipos: o pensador prático e o empreendedor filosófico.

Os melhores entre os presentes intelectuais devem considerar o tremendo poder que está em suas mãos, mas que nunca exerceram ou compreenderam plenamente. Se algum entre eles se sente o filho adotivo desamparado e incapacitado de uma cultura “materialista” que não lhe concede riqueza nem reconhecimento, que ele se lembre então do significado do seu título: seu poder é o seu intelecto, não os seus sentimentos, emoções ou intuições. Não foram os empresários que roubaram sua eficácia, mas os seus colegas que rebaixaram sua profissão ao nível de adivinhos, leitores de folhas de chá e oráculos da selva. Que ele se afaste dos neomísticos; que perceba que ideias não são uma fuga da realidade, nem um hobby de neuróticos “desligados” habitando torres de marfim, mas o poder mais importante e prático da existência humana. Que ele se torne um líder intelectual que assume total responsabilidade pelas consequências práticas das suas teorias.

Os melhores entre os empresários devem considerar a função da riqueza, e perceber que o poder por trás do mal inconcebível lançado hoje contra eles é o deles próprios. A riqueza, como tal, é apenas uma ferramenta; ao renunciar o intelecto, o empresário colocou sua riqueza a serviço dos seus próprios destruidores. Esses não ambicionam nacionalizar sua propriedade: eles já nacionalizaram sua mente há muito tempo. Que ela agora perceba que ação prática sem uma base teórica consegue o oposto dos seus objetivos, e que irresponsabilidade intelectual não é uma forma de escapar de seus inimigos. Assim ele descobrirá a função da filosofia.

Os empresários precisam descobrir o intelecto; os intelectuais precisam descobrir a realidade. Que os intelectuais entendam a natureza e a função de um livre mercado a fim de oferecer aos empresários, assim como ao público em geral, o guiamento de um quadro teórico inteligível referente a como lidar com os homens, com a sociedade, com a política, com a economia. Que os empresários aprendam as questões básicas e princípios da filosofia a fim de saber como julgar ideias, então assumam plena responsabilidade pelo tipo de ideologias que escolhem financiar e apoiar.

Que ambos descubram a natureza, a teoria e a história real do capitalismo; ambos os grupos são igualmente ignorantes quanto a isso. Nenhum outro assunto está encoberto por tantas distorções, equívocos, imprecisões e falsificações. Deixe-os estudar os fatos históricos e descobrir que todos os males popularmente atribuídos ao capitalismo foram causados, necessitados e tornados possíveis pelos controles do governo impostos à economia. Quando quer que eles escutem o capitalismo ser atacado, que eles chequem os fatos e descubram qual dos dois princípios políticos opostos – livre comércio ou controles do governo – foi o responsável pelas alegadas iniquidades. Quando eles ouvirem ser dito que o capitalismo teve sua chance e falhou, que eles se lembrem que no final o que falhou foi uma economia “mista”, que os controles foram a causa da falha, e que a maneira de salvar um país não é fazê-lo engolir um copo cheio do “puro” veneno que está o matando.

Os Novos Intelectuais devem lembrar ao mundo que a premissa básica na economia do capitalismo é o direito do homem à sua própria vida, à sua própria liberdade, à busca da sua própria felicidade – o que significa: o direito do homem de existir para o seu próprio bem, nem se sacrificando para os outros, nem sacrificando os outros para si mesmo; e que a concretização política desse direito é uma sociedade onde os homens lidam uns com os outros como comerciantes, através de trocas voluntárias para benefício mútuo.

As premissas morais implícitas na filosofia política e economia do capitalismo devem agora ser reconhecidas e aceitas na forma de uma filosofia moral explícita. Aquilo que está apenas implícito não está no controle consciente dos homens; pode se perder por meio de outras implicações, sem que se saiba o que é que se está perdendo ou quando ou por quê. Foi a moralidade do altruísmo que corroeu as bases do capitalismo e agora está o destruindo. Capitalismo e altruísmo são incompatíveis; eles são opostos filosóficos; eles não podem coexistir no mesmo homem ou na mesma sociedade. Hoje, o conflito atingiu seu clímax final; a escolha é clara: ou uma nova moralidade de autointeresse racional, com as suas consequências sendo a liberdade, a justiça, o progresso e a felicidade do homem sobre a terra – ou a moralidade primeva do altruísmo, com as suas consequências sendo a escravidão, a força bruta, o terror estagnante e as fornalhas sacrificiais.

A crise mundial de hoje é uma crise moral – e nada menos do que uma revolução moral poderá resolvê-la. Os Novos Intelectuais devem lutar pelo capitalismo, não como uma questão “prática”, não como uma questão econômica, mas, com todo orgulho, como uma questão moral. Isso é o que o capitalismo merece, e nada menos o salvará.

Os Novos Intelectuais devem assumir a tarefa de construir uma nova cultura sob uma nova fundação moral – a cultura do Produtor. Eles terão que ser radicais no sentido literal e respeitável da palavra: “radical” significa “fundamental”. Os representantes da ortodoxia intelectual, da convenção e do status quo são os coletivistas.

Aqueles que se preocupam com o futuro, que estão dispostos a uma cruzada por uma sociedade perfeita, devem se dar conta de que os novos radicais são os que lutam pelo capitalismo. Essa não é uma tarefa fácil e ela não pode ser realizada da noite para o dia. Mas os novos intelectuais têm uma vantagem inestimável: eles têm a realidade do seu lado.

[AYN RAND, 1961, extraído e adaptado do ensaio “For The New Intellectual”]

Adaptado por Breno Barreto


Ayn Rand Sobre a Essência da Feminilidade

Para uma mulher enquanto mulher, a essência da feminilidade é o culto ao herói – o desejo de reverenciar o homem. ‘Reverenciar’ não significa dependência, obediência ou qualquer coisa que implique inferioridade. Significa um tipo intenso de admiração; e admiração é uma emoção que só pode ser experimentada por uma pessoa de caráter forte e juízos de valor independentes. Um tipo dependente de mulher não é uma admiradora, mas uma exploradora de homens. O culto ao herói é uma virtude exigente: a mulher tem que ser digna disso e do herói que ela cultua. Intelectualmente e moralmente, isto é, enquanto um ser humano, ela tem que ser sua igual; assim, o objeto do seu culto é especificamente a masculinidade dele, não uma virtude humana que possa faltar a ela.

Isso não significa que uma mulher feminina sinta ou projete o culto ao herói para qualquer e todo homem individual; enquanto seres humanos, muitos deles podem, de fato, ser inferiores a ela. O seu culto é uma emoção abstrata ao conceito metafísico de masculinidade enquanto tal – a qual ela experimenta completamente e concretamente apenas com o homem que ela ama, mas que colore a sua atitude em direção a todos os homens. Isso não significa que há uma intenção romântica ou sexual na atitude dela para com todos os homens; muito pelo contrário: quanto maior a sua visão da masculinidade, mais severamente exigente serão os seus padrões. Isso significa que ela nunca perde a consciência da sua verdadeira identidade sexual e da identidade sexual deles. Significa que uma mulher adequadamente feminina não trata os homens como se ela fosse sua camarada, irmã, mãe – ou líder.”

AYN RAND, 1968, An Answer to Readers (About a Woman President)
Imagem: © 1949 – Warner Bros.

Adaptado por Breno Barreto

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Fonte: http://aynrandlexicon.com/lexicon/femininity.html